Supermax (2016)

Apesar de problemas em sua estrutura, Supermax é um avanço da Rede Globo em séries do gênero. supermax2

por Amanda Aouad *

A Rede Globo está investindo cada vez mais no formato de série. Parece que ainda não há coragem para ousar pensar em temporadas, mas não deixa de ser um avanço ver obras como Justiça e a série de terror Supermax. A própria estratégia de divulgação dessa última chama a atenção.

Quase todos os episódios estão disponíveis para assinantes da Globo no GloboPlay. Digo quase porque eles seguraram o último episódio para ser visto apenas em dezembro, quando for ao ar na televisão. Com isso, criaram uma espécie de vlog dentro do aplicativo para discutir teorias sobre os mistérios da trama em uma tentativa de manter os assinantes entretidos.

Essa quase estratégia “Netflix” (que sempre lança toda a temporada de suas séries de uma só vez) parece fundamental para a obra que só começa a esquentar mesmo a partir do terceiro episódio, tendo, talvez, um dos piores pilotos de série já vistos. Mas quando o reality show deixa de ser um reality, tudo começa a ficar interessante.

Piloto

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O formato do primeiro episódio tenta simular um reality show, a direção não usa apenas câmeras escondidas, mas nos apresenta as personagens em vídeos, tem vinheta e até a apresentação de Pedro Bial. Esse é um dos grandes erros de escalação, já que o jornalista e apresentador não é ator e fica artificial em cena.

Os atores também não parecem muito à vontade em seus papéis. Os diálogos não são naturais, a estrutura não parece crível e mesmo as disputas que começam a surgir soam falsas. Tem inclusive um estranho erro de escalação, já que nas cenas abertas do grupo, vemos o ator Harildo Deda no lugar do ator Mário César Camargo, que interpreta o médico Timóteo.

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Ou seja, nada parece funcionar em Supermax. Pode ser que seja um clima proposital para o que está por vir, mas o fato é que o episódio piloto não fisga o espectador. Não nos deixa curiosos para continuar a investir na obra. E o pior, não faz jus ao que será desenvolvido adiante.

Um piloto é uma carta de apresentação, precisa trazer o tom da série e demonstrar aquilo que o espectador irá acompanhar por toda a jornada. Tudo deve ser implantado ali, ainda que melhor desenvolvido adiante. Ao se basear apenas pelo piloto, diríamos que Supermax é uma série sobre um reality show. O que não é verdade.

Então, por que continuar?

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Aos que persistem, há, no entanto, algumas recompensas. Como já foi dito, a série começa a esquentar no terceiro episódio. O gancho cria uma reviravolta que nos deixa intrigados e faz embarcar naquela aventura, apesar de ainda algum estranhamento.

Aos poucos, as personagens vão se tornando mais críveis, sendo aprofundadas e algumas revelações são bem conduzidas, como a cena em que Luisão e Janette ficam presos na área de alimentação. Os mistérios também vão sendo mais bem trabalhados e as explicações apresentadas são coerentes.

Talvez o mais intrigante em Supermax seja a possibilidade real dos acontecimentos. Nada é fantasioso em excesso, em determinado momento tudo fica palpável, o que ajuda no efeito do horror. E mesmo quando alguns elementos fantásticos são introduzidos, é possível comprar a verossimilhança aquele universo. A própria construção de efeitos é conduzida com poucos recursos, um som, um movimento de câmera, penumbras. Há efeitos especiais, mas a série não se baseia neles.

Há uma verdadeira mistura de referências. A começar pela série inglesa Dead Set, talvez a referência mais forte, com pitadas do filme espanhol REC. Mas é possível pincelar referências de formatos e temáticas de obras como Lost, OZ, Supernatural, Heroes e até algo de The Walking Dead.

Ainda que não tenhamos visto o episódio final, já é possível ver um avanço na Rede Globo no gênero. A série, de fato, funciona, pelo menos até o episódio 11. Só nos resta agora aguardar o episódio final para ver se a boa sensação se confirma. Afinal, tudo pode cair por terra com uma resolução mal planejada. Vamos torcer.

 

* Doutoranda em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Póscom/UFBA) e integrante do GRIM

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