Dead of Summer – Primeira Temporada

Emissora Freeform aposta no estilo slasher adolescente no novo seriado da dupla criadora de Once Upon a Time

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Por Enoe Lopes Pontes [1]

1980: o Acampamento Stillwater é reaberto e com ele várias mortes começam a acontecer. Esta é a história de Dead of Summer (DOS), nova série da emissora Freeform e uam criação de Adam Horowitz e Edward Kitsis, roteiristas e produtores executivos das famosas Lost (2004-2010) e Once Upon a Time (2011-). Além dos dois artistas já conhecidos pelo público de televisão, Ian Goldeberg (Once Upon a Time) se juntou como showrunner neste projeto.

Numa atmosfera slasher movies à la Sexta-feira 13, durante dez episódios semanais, o espectador já sabe que existe a possibilidade de uma nova personagem ser assassinada. Apesar de possuir a premissa um tanto óbvia, Dead of Summer se segura em dois quesitos. O primeiro é a boa dinâmica do elenco, que constrói de forma segura as relações entre as si até mais do que com os próprios acontecimentos. Além disso, o grande triunfo do programa são os plots twists da trama que são assustadores, bem explicados e não gratuitos.

A narrativa segue um padrão parecido ao de Lost e Once Upon a Time. Com flashbacks sobre o passado dos monitores do acampamento mesclados aos acontecimentos do presente, o público vai montando as peças do quebra-cabeça para entender quem está matando os colegas, fazendo os rituais satânicos e ameaçando a tranquilidade de uma pacata cidade no meio oeste dos Estados Unidos.

ELIZABETH LAIL, ELIZABETH MITCHELL

Caminhando na direção inversa do seriado Scream (MTV: 2014-), terror similar a DOS por ser um slasher adolescente, o programa consegue ir crescendo conforme a temporada vai avançando e deixando as personagens cada vez mais complexas. Os destaques na interpretação estão com Elizabeth Mitchell (Lost) e Elizabeth Lail (Once Upon a Time). Sem entregar spoilers sobre a série, pode-se dizer que as intérpretes conseguem demonstrar múltiplas emoções e estilos de personalidade em poucos episódios, intrigando e surpreendendo o espectador.

Outro destaque, que parece ser intencional na série, é forma como os criadores escolheram assustar o público. Existem figuras sobrenaturais na história. Demônios e fantasmas habitam Stillwater e isto vai ficando cada vez mais claro. Porém, o que incomoda e assusta de maneira mais intensa são os vilões vivos, estes que carregam machados, correm atrás da mocinha e (SPOILER ALERT) podem ser possuídos por livre e espontânea vontade.

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Por fim, existe mais um elemento positivo em DOS que merece ser destacado. Em produções anteriores, Horowitz e Kitsis foram cobrados por representatividade, principalmente em Once Upon a Time. Agora, em 2016, em Dead of Summer, parece que os dois procuraram se redimir. A trama traz a diversidade de forma bem planejada e realizada. Mulheres fortes, personagens negros importantes e fundamentais para o desenvolvimento da narrativa, casal homoafetivo, um rapaz transexual e uma garota com mais corpo, fugindo do padrão hollywoodiano de magreza demonstram que os produtores estão ficando mais conscientes de que todo o público merece ser representado nas telas.

Não há nenhuma novidade em Dead of Summer e ela poderia ser mais uma história de terror adolescente passada em um acampamento, mas existem coisas que conseguem salvá-la. A forma como o enredo é desenvolvido, as justificativas pelas quais as personagens resolveram ir trabalhar no acampamento, o entrosamento do elenco que faz a cena crescer quando está completo numa cena, a atmosfera de tensão causada pelas descobertas de vilania no programa, o carisma dos protagonistas e a diversidade fazem com que a segunda temporada seja desejada e esperada com uma certa ansiedade.

 

[1] Mestranda em Comunicação e Cultura Contemporâneas pelo PósCom/UFBA. Pesquisador do GRIM.

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