Orphan Black – Quarta Temporada

Vencedora do Emmy (2016) de Melhor Atriz em série dramática, para Tatiana Maslany, Orphan Black chegou à quarta e penúltima temporada com uma trama mais madura e envolvente.

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Por: Letícia Moreira*

O Clone Club está de volta com mais suspense, revelações e desafios na quarta temporada de Orphan Black, a mais instigante e bem elaborada até então. E os fãs mais fiéis com certeza não se decepcionaram com a sequência, que conseguiu desenvolver bem a trama, trazendo um equilíbrio, à sua maneira, ao enredo, logrando prender o espectador sem a necessidade de saturá-lo com informações e referências, hábito típico das temporadas anteriores.

Agora, a ânsia de acompanhar o desenrolar da história (que envolve clones humanos e experiências biológicas) vem com uma viagem ao passado, o surgimento de uma nova personagem chave e com a volta do mundo dos mortos de figuras centrais, fazendo desta uma temporada que resgata elementos fundamentais das anteriores, renascendo e resolvendo arcos que até então clamavam por esclarecimentos.

A quarta temporada já inicia ressuscitando Beth Childs (Tatiana Maslany), que vinha sendo apresentada através de flashbacks e memórias de outros. Voltamos para os momentos pré-morte de Beth, pela ótica daquela que foi a clone líder nas investigações antes do aparecimento de Sarah Manning, que vem assumir o papel central da série.

Esse retorno temporal foi uma estratégia inteligente que funcionou muito bem para a narrativa, tanto para um resgate do público, que consegue entender o porquê do suicídio (o gatilho inicial no piloto), bem como para reaver e esclarecer conceitos indispensáveis, como a Neolution, organização que comanda os experimentos com genoma humano, como dos Projetos LEDA e Castor (clones femininos e masculinos, respectivamente), que se torna central tanto na retomada ao passado, quanto nos acontecimentos presentes.

As ações do passado e do presente são trazidas intercaladas, gerando um bom aproveitamento das personagens, em especial da nova clone, MK, uma hacker desconhecida por Sarah, mas que foi figura importante no passado do clube, ajudando Beth a conseguir informações sobre Neolution, DYAD e a rede de pessoas envolvidas nessa teia, como a doutora Duncan, que aparece mais intensamente agora. O público é convidado a permanecer fiel a série pelo modo como esses elementos vão sendo trazidos e interligados nessa temporada.

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Além de MK, a ingênua clone Krystal volta como uma figura mais constante, criando no público expectativas de se e como ela vai descobrir a história que a envolve e se tornar uma sestra. E os roteiristas não a trouxeram como refúgio cômico (como na temporada anterior), colocando-a aqui como fonte e testemunha mais importante sobre o desfecho de Delphine (Evelyne Brochu), trazendo uma luz de esperança para o público cativo.

As outras sestras, Alison Hendrix e Cosima Niehaus, são bem construídas e mais bem aproveitadas. O relacionamento de Alison e Donnie (Kristian Brunn), que vem se desenvolvendo e recebendo destaque ao longo das temporadas, consegue aqui atingir um momento interessante, com um desenrolar mais maduro e sensível, sendo um dos pontos de destaque na temporada.

A atuação incansável de Tatiana Maslany se mantém como um dos trunfos da série, sendo, talvez, a mais sensível e bem desempenhada até então. Ela conseguiu, com muita destreza e sensibilidade, criar uma identidade forte e particular para cada clone, chegado agora ao ponto de que é totalmente dispensável a presença de elementos outros para o espectador identificar qual sestra está em cena, bastando a captura do olhar da atriz.

Os elementos mitológicos se mantém na narrativa, de uma maneira forte, exigindo (para uma leitura mais profunda) uma bagagem informativa daquele que assiste. A série adquire um tom que mescla o surreal, mitológico com um futurismo real, é como se quase parecesse ser de uma dimensão mítica, mas com bases que são totalmente possíveis no nosso amável mundo real e atual.

A quarta temporada não peca em praticamente nenhum ponto com a construção do enredo, cumprindo o que promete, em especial aos fãs mais fiéis. Pouco ou talvez não muito claro foi o surgimento da irmã biológica de Félix, que aparece sem muitas contextualizações. Esperemos o desenrolar dessa história na próxima (e última) temporada.

Sobre a série:

Orphan Black é uma série canadense de ficção científica que conseguiu atrair um público não tão cativo ao gênero. A trama é centrada na personagem Sarah Manning (Tatiana Maslany) que se descobre resultado de uma experiência de clonagem humana após deparar-se com o suicídio da sua clone Beth Childs. Sarah e suas irmãs Alison Hendrix, Cosima Niehaus e Helena, unidas na busca de descobrir suas origens, lidam com uma série de grupos e institutos que se revezam entre destruir, capturar e proteger as clones, e daí todo enredo vai se desenrolando. A série foi renovada para sua quinta e última temporada!

*Graduanda em Comunicação Social com habilitação em Produção em Comunicação e Cultura, na Universidade Federal da Bahia. É pesquisadora do GRIM.

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